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Com falta de dinheiro, novas administrações não devem priorizar metrô nas cidades

O custo seria de R$ 167,13 bilhões para construção e operação dos sistemas atuais e também a aquisição de trens e recuperação de infraestrutura já instalada.


E é justamente neste ponto que começam os problemas. Cidades e estados, com as receitas abaladas devido à crise econômica, mas também, a má administração e falta de responsabilidade fiscal, não têm condições de tocar os projetos que são considerados caros e de implantação complexa.


Um quilômetro de metrô custa entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão. Já o mesmo quilômetro de corredor de ônibus BRT pode sair por R$ 35 milhões. A capacidade e a velocidade do BRT, que não são apenas corredores de ônibus, mas sistemas que contam com estações e gerenciamento mais modernos, são inferiores às do metrô, mas acabam sendo soluções rápidas para que o problema da falta de eficiência dos transportes coletivos não se agrave.


Os sistemas de BRT têm capacidade e velocidade parecidas com outros modais como VLT – Veículo Leve sobre Trilhos e monotrilho, cujos custos de implantação também são maiores.


No entanto, a situação dos cofres públicos em diversas regiões do país é tão grave que nem os “baratos” BRTs estão nos planos. Algumas cidades vão mesmo de corredores de ônibus simples ou faixas pintadas no solo.


Em Belo Horizonte, os moradores não devem contar com expansão do metrô pelo menos no próximo ano. É o que afirmou o vice-prefeito eleito, Paulo Lamac, em entrevista publicada nesta terça-feira pelo “Hoje em Dia”. Lamac, que será vice de Alexandre Kalil, promete ser atuante, não apenas um vice-prefeito decorativo. Ex-petista e hoje no Rede,  ele atribui ao contingenciamento de recursos, a falta de perspectiva para expandir o metrô.


Quais as perspectivas para o metrô?
O dinheiro está contingenciado. O orçamento para 2017 já está praticamente fechado. O empenho que vamos fazer junto à bancada federal para o próximo ano é, de fato, tentar viabilizar uma emenda de bancada coletiva dos deputados mineiros. Mas, com realidade, será para 2018. Vamos, evidentemente, demandar ao governo federal, mas os recursos são escassos e a nossa prioridade é saúde e saneamento.


Mais polêmico em suas declarações, o prefeito eleito, Rafael Greca, de Curitiba, disse que não fará metrô e que o modal é para “toupeira”.


A declaração foi publicada pelo portal UOL também nesta terça-feira.


Curitiba abriu para a iniciativa privada oportunidade de apresentação de propostas em relação à mobilidade urbana. Foram três projetos, mas nenhum deles leva em conta o metrô. O mais cotado é uma espécie de requalificação do BRT com conceitos metroferroviários, apresentado pela Volvo, Metrocard – que reúne as empresas de ônibus, e construtoras locais. 


Greca também atribuiu a questões financeiras e técnicas, o seu desinteresse pelo metrô.


UOL – Urbanistas criticam sua posição de engavetar o projeto de metrô em Curitiba. Dizem que não é possível abandonar um modal que será necessário mais cedo ou mais tarde. Como o senhor responde a eles?

Greca – Com o mesmo dinheiro que financiaria um sexto do metrô, faço 27 trincheiras, termino a Linha Verde, modernizo o Inter 2 (linha circular que une alguns dos bairros mais populosos da cidade), a ligação entre Araucária e o aeroporto, a onda verde de semáforos. É uma série de ações que faz a população esquecer o sonho do metrô.


UOL – Sonho ou necessidade?

Greca – Não é uma necessidade. Hoje há soluções de superfície muito melhores. O metrô era um sonho quando foi feito em Londres, há 150 anos. Porque precisa enterrar o povo trabalhador? Não dá pra colocá-los na superfície?


UOL – Eu é que pergunto: dá?

Greca – Dá. Temos boas manifestações de interesse na prefeitura, uma de um consórcio liderado pela Volvo, outra do doutor Jaime Lerner e da Alstom, e uma terceira da sociedade peatonal. Nenhuma delas é enterrada. Metrô é pra toupeira. Só tatu e toupeira é que morrem cavoucando. Não vou fazer. Não é próprio do nosso tempo. Por que vou gastar R$ 20 bilhões se posso gastar R$ 2 bilhões?


Em São Paulo, o metrô é estadual. Nem por isso está livre das questões financeiras que afetam o poder público. Muito pelo contrário. Com a crise, o total de investimentos para o metrô previsto no Orçamento estadual para 2017 deve ter uma redução de 7,7%. Já a redução para Secretaria de Transportes Metropolitanos, responsável pelo metrô, será de 8,98%.


Praticamente todas as obras de expansão da rede estão atrasadas. Alguns trechos foram momentaneamente descartados como a extensão a partir de Vila Prudente da linha 2-Verde e modais que não são metrô, como as três linhas de monotrilho, mas que fazem parte da Companhia do Metropolitano, também tiveram trechos descartados e neste momento estão atrasados.


Um dos caminhos que devem ser escolhidos pelo governador Geraldo Alckmin será a participação da iniciativa privada. Já existe a previsão de repassar para empresas a conclusão e operação da linha 5 lilás do Metrô e, em contrapartida, quem assumir deve se responsabilizar pela linha 17 Ouro do monotrilho que tende a ser menos viável do ponto de vista econômico.


O BRT não pode ser encarado como uma solução provisória. Havendo planejamento e investimento necessários, o modal pode apresentar eficiência operacional e atender às necessidades de deslocamento. No entanto, só os corredores de ônibus não bastam, assim como só metrô também não. O transporte deve ser pensado como uma rede multimodal.


Diante do quadro econômico dos estados e cidades, os investimentos em BRT ou sistemas mais simples de ônibus não devem parar, mas os administradores não podem deixar os sistemas de metrô esquecidos.


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Fonte: Portal Diário do Transporte


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