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O ônibus e a mobilidade

Há bons exemplos de sistemas para uma mudança no conceito, todavia são poucas as iniciativas que chamam atenção da sociedade

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 Mobilidade urbana não se conquista, se faz. Objeto de vários debates contemporâneos, a referida temática não parece se adequar a uma solução em meio ao caos vivido no desordenamento das grandes cidades brasileiras e de países subdesenvolvidos.

Problemas como falta de projetos e investimentos contínuos e atitudes concretas que não se configuram apenas como discursos ideológicos, têm acompanhado esse fundamental aspecto no desenvolvimento urbano. Dentre os modais de transporte que são viáveis na resolução desse não evoluir dos deslocamentos de pessoas e mercadorias, o ônibus continua subjugado perante outros modelos considerados mais modernos.

Apesar de ser o principal agente do transporte de massa nas grandes regiões metropolitanas latino-americanas, o veículo e seus serviços ainda continuam sob os humores das administrações públicas municipais, dependendo em muito de uma revolução em sua imagem.

Bons sistemas existem e servem de exemplo para uma transformação no conceito. Porém, ainda são poucas as operações que podem chamar a atenção da sociedade no sentido de se alcançar eficiência.

A pecha de transporte público sem atratividade precisa cair por terra para poder se igualar às qualificações de outros segmentos de maior proporção, como os sistemas metroviários, tidos como soluções frente aos desafios da mobilidade. Mas, é preciso lembrar que os recursos financeiros são curtos na maioria dos casos e o tempo de implantação atinge limites de longo prazo.

No caso do ônibus, fatores favoráveis a sua operação, como flexibilidade e o baixo custo de implantação de corredores exclusivos e prioritários, revelam-se pontos positivos. Há ainda muitas tecnologias ligadas ao modal, seja em acesso à informações e comunicação sobre seus serviços, ou então na questão da sustentabilidade ambiental, pois o veículo pode ser equipado com propulsores que promovem baixo ou nenhum impacto negativo em relação a emissões poluentes.

Mobilidade precisa ser congruente ao que se quer de uma cidade. Se a proposta é um ambiente urbano feito para o automóvel, algo que já nos acompanha há muito tempo, deixemos como está por meio de um legado bem conhecido. Agora, se queremos mesmo alterar esse cenário nada convidativo ao bem estar, vamos ter que realizar certas revoluções para que o transporte público e outros modais não poluentes (a pé e ciclomobilidade) conquistem maior espaço. As cidades de pequeno porte ainda têm totais condições em planejar suas funções. Para aquelas de porte maior, é necessário rever suas estruturas, o que exigirá esforços em termos de organização e disciplina.

O ônibus, quando bem utilizado, revela-se um contribuinte muito expressivo quanto a um idealismo de uma cidade inteligente, conectada, integrada e com caráter de sustentabilidade ambiental.

Fonte: Revista Autobus
Foto – Jorge dos Santos (Fetranspor)