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Transporte público é rotina na vida de milionários e bilionários na Europa e nos Estados Unidos


 “País rico não é aquele que pobre anda de carro, é aquele que rico anda de transporte público” A frase é bastante conhecida entre aqueles que acompanham o tema da mobilidade urbana e repetidas vezes foi usada, por exemplo, pelo ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, Enrique Peñalosa Londoño,  que, em sua gestão, atuou na implantação de um sistema de ônibus na capital Colombiana chamado Transmilênio. A rede de corredores de ônibus foi responsável não apenas por melhorar os transportes no local, mas por reorganizar o espaço urbano. O modelo foi inspirado nos corredores de ônibus criados em 1974, em Curitiba pelo prefeito na época, Jaime Lerner, que é arquiteto e urbanista.


Vale lembrar que o Transmilênio, cuja construção começou em 1998 e a inauguração do primeiro trecho ocorreu no dia 18 de dezembro de 2000, também levantou polêmicas e os índices de rejeição a Peñalosa atingiram recordes. Mas depois de quebrado o paradigma, a cidade se deu conta que investir em transporte coletivo é o caminho mais indicado para que as pessoas tenham preferência no espaço público. Também é importante recordar que o Transmilênio foi financiado a partir de um percentual de sobretaxa sobre o combustível e as contribuições do Distrito de Bogotá e do governo nacional.


Nesta primeira semana de fevereiro de 2016, circulou em diversos sites de notícias o levantamento denominado, em tradução para o português, “Veja como 7 dos maiores bilionários levam uma vida simples”  – Acompanhe em: http://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2016/02/7-bilionarios-que-levam-uma-vida-bem-simples.html


Na relação, por exemplo, é citada rotina de Ingvar Kamprad, fundador da IKEA, gigante dos móveis na Europa. “No dia a dia, ele usa ônibus para chegar ao escritório, mesmo tendo no banco US$ 39,3 bilhões. Considerado o segundo homem mais rico da Europa, Kamprad almoça na cantina da empresa, ao lado dos funcionários, e seu carro é um Volvo, modelo antigão.” – diz o texto


Em outras ocasiões, também foram comuns notícias de bilionários e autoridades tendo o transporte público como rotina. Um dos exemplos mais clássicos é do ex-prefeito de Nova York, o empresário de sucesso Michael Bloomberg, que também é visto com frequência em ônibus e metrô indo para o trabalho. O que para nós é notícia, para o mundo desenvolvido já é algo corriqueiro. Muitos podem dizer que é claro que esses milionários usam transporte público em suas cidades porque os ônibus trens e metrô prestam um serviço de muito mais qualidade do que se é observado no Brasil de maneira geral.


E é verdade. Afinal estes homens de negócios, cujas decisões impactam diretamente a vida de milhões de famílias em todo o mundo, não poderiam ficar esperando 30 minutos no ponto de ônibus ou entrar em um trem que dá pane a todo momento. Mas estes milionários, mesmo com um transporte público de qualidade, poderiam muito bem usar apenas seus carros e helicópteros.


Também é legítima a afirmação de que o contexto das cidades brasileiras não permitiria que milionários e bilionários usassem o transporte público por causa da violência. Afinal, hoje tem sido comum pessoas perderem a vida por simples celulares, muitos roubados em arrastões dentro de ônibus, estações e vagões.


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                                                                            O segundo homem mais rico da Europa, Ingvar Kamprad, fundador da IKEA, usa ônibus todos
                                                                                              os dias para trabalhar, mesmo com uma fortuna de quase US$ 40 bilhões
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Mas a questão também não é só essa. Existe nestes países desenvolvidos toda uma estrutura cultural que permite com que os que possuem uma condição financeira melhor enxerguem o transporte público como parte do seu dia a dia.


E além de melhorar a infraestrutura dos transportes, os serviços e a segurança pública, países como Brasil têm uma longa barreira cultural para vencer. Muitos ainda têm o pensamento no Brasil de que usar o transporte coletivo é coisa de pobre ou mesmo de pessoas fracassadas. Há uma enorme barreira social e cultural entre aqueles que precisam usar os ônibus, os trens e metrô e aqueles que possuem uma renda maior, mesmo que apenas um pouquinho mais elevada. Por isso também que, por exemplo, implantar uma faixa de ônibus num bairro mais nobre, como ocorreu recentemente na Avenida Giovanni Gronchi, em São Paulo, ou construir uma estação de metrô em regiões como Higienópolis, também em São Paulo, são ações que sofrem muito mais resistências culturais do que propriamente técnicas.


E apesar do transporte coletivo no Brasil ainda estar muito longe dos padrões da Europa e dos Estados Unidos, em algumas regiões, ironicamente nas mais nobres, há uma oferta de relativa qualidade e quantidade, só que muitas pessoas morando perto de estações de metrô, de diversas linhas de ônibus e de corredores BRT, que atenderiam suas expectativas perfeitamente, insistem em apenas usar o transporte individual. Parece que elas não querem se misturar.


Essa cultura tem raízes históricas. Primeiro pelo preconceito que cria, ainda no mundo politicamente correto, um abismo entre as pessoas com mais e com menos condições financeiras. Os incentivos à indústria automobilística no Brasil criaram o carro como símbolo de status, no qual pessoas superiores possuem seus veículos. Este discurso de marketing também ocorreu na Europa e na América do Norte, mas nessas regiões há uma bagagem cultural que faz com que as pessoas não se sintam superiores ou inferiores apenas pelo “fator carro”.


Ao longo do tempo, com viés meramente eleitoreiro, os próprios administradores públicos usaram o carro como sinal de que as pessoas estão ascendendo economicamente e saindo da pobreza. Um exemplo clássico disso é um vídeo de Propaganda do Plano Brasil Sem Miséria, do Governo Federal, de 2011. Em um dos trechos, que diz que 28 milhões de brasileiros saíram da pobreza e 36 milhões ingressaram na classe média, insinuando a mudança de realidade, aparece a imagem de um homem sentando em um ônibus com a expressão cansada e abatida. Repentinamente, para mostrar seu crescimento, o homem aparece dentro de seu próprio carro com uma cara de muito maior satisfação.

Para os mais exaltados, vale aqui observação no texto: Ninguém é contra que as pessoas tenham seus automóveis, desfrutem da comodidade de um transporte individual e é fato que hoje, em muitas cidades, o transporte coletivo não é convidativo. No entanto, é importante destacar que no Brasil, além das questões diretas da mobilidade, são necessárias profundas mudanças culturais, que até estão acontecendo, mas que ainda sofrem grandes resistências.

Fonte: Blog Ponto de Ônibus
Por: Adamo Bazani

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