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Especialistas reúnem os dez maiores mitos sobre trânsito e transportes em todo o mundo

Existem muitos equívocos que acabam prejudicando o debate sobre a mobilidade urbana

 Se de doutor e técnico de futebol todo mundo tem um pouco, ultimamente também cada um tem dado o seu pitaco nos assuntos relacionados à mobilidade. E isso é muito bom, afinal é importante discutir as cidades e como se movimentar de maneira eficiente e humana nelas. No entanto, também existem muitos mitos em relação ao trânsito que acabam prejudicando o debate.

Por isso que o site CityLab, que reúne especialistas e estudiosos em mobilidade urbana de diversas partes do mundo, trouxe uma relação dos dez principais equívocos quando se fala em trânsito e transportes. Muitos destes equívocos ocorrem por desconhecimento mesmo e outros são de uma maneira sorrateira espalhados para ainda se privilegiar em todo mundo a cultura do carro como principal elemento do transporte. Vale lembrar que o carro não pode ser visto como vilão, mas é o excesso de veículos ao mesmo tempo em deslocamentos rotineiros e o seu uso descontrolado que é o principal problema em relação à poluição e congestionamento nas cidades.

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Você sabia, por exemplo, que de acordo com os estudos não adianta investir somente em transporte público de qualidade sem depois de fazer isso restringir uso do carro de alguma maneira naquele local servido pela nova rede de transporte, seja metrô ou corredor de ônibus? Isso porque, o espaço liberado pelas pessoas que optaram pelo transporte coletivo deixando os seus veículos nas garagens vai ser ocupado por outras pessoas com carro. Outro dado curioso é que é a falsa a premissa de quanto mais larga a faixa de rolamento numa via, mais seguro será o trânsito mesmo com as motos passando no meio.

Confira a relação:


“Mais rodovias significa menos tráfego”
A demanda induzida é uma teoria que considera que enquanto existam mais vias para automóveis, mais pessoas terão que usar este meio de transporte, pensando que as ruas e rodovias estarão descongestionadas. Entretanto, na prática, ocorre o contrário, porque uma maior quantidade de vias induz a usar mais o automóvel.


Sobre esta teoria, o artigo do Citylab apresenta-se da seguinte forma: se em uma pista existem 100 automóveis e é construída uma segunda, se poderia pensar que ficariam 50 em cada uma, mas ao longo do prazo o que ocorre é que estas vias serão vistas como uma nova opção de rota para os outros automobilistas.


“Mais trânsito significa menos tráfego”
Quando se anuncia um novo sistema de transporte público, a ideia inicial é que mais habitantes tenham alternativas ao fazerem seus trajetos diários. No entanto, o espaço que é liberado por quem realmente deixa seus automóveis em suas casas e utiliza os ônibus públicos ou metrô, é visto por outros condutores como um novo lugar para circular, o que desemboca em um congestionamento permanente nas ruas.


Por este motivo, o artigo considera adequado que quando é anunciado um novo sistema de transporte público se complemente com a aplicação de taxas de congestionamento, para desincentivar o fato de que mais pessoas utilizem o automóvel.


“As ciclovias pioram o tráfego”
Ao redor do mundo, são várias as cidades que estão eliminando os estacionamentos para automóveis nas ruas ou em vez de destinar uma certa quantidade de pistas aos veículos, habilitam ciclovias no seu lugar. Exemplos disso são os projetos que foram implementados em Chicago, Montreal e Santiago.


Um caso que o site Citylab faz referência é o que fez Nova Iorque, especificamente nas avenidas Columbus e na Oitava. Em ambas, passou-se de cinco pistas para automóveis a quatro, que são mais estreitas, e implementou-se uma ciclovia junto com um espaço de segurança. Com isso, em vez de aumentar o congestionamento, o que aconteceu foi reduzir os tempos os deslocamentos de 35% e 14%, respectivamente.


“Uma avenida grande é mais segura”
Em várias cidades canadenses e estadunidenses, a maioria das pistas para automóveis estão desenhadas com uma largura de 3,6 metros, já que a percepção apontada há décadas que se os espaços para transitar eram mais largos, se tornavam mais seguros e os condutores poderiam manobrar melhor.


No entanto, pesquisas mais recentes demostraram que esta percepção está errada, devido a que induz os motoristas a conduzir mais rápido, fazendo com que o lugar para todos os usuários do espaço viário seja mais inseguro.


Um desses estudos foi o que fez o engenheiro civil Dewan Masud Karim que avaliou dezenas de intersecções de Tóquio e Toronto, onde as larguras das pistas são de 3,1 metros e 3,2 metros, respectivamente. Apesar da diferença de dimensões ser pequena, isso influencia notoriamente nas consequências, já que o estudo afirmou que nos cruzamentos da cidade canadense os automóveis conduziam a velocidades 34% maiores em comparação com Tóquio.


“A pista ao lado vai mais rápido”
Quando os condutores estão em um engarrafamento tendem a pensar que a pista do lado sempre anda mais rápido, por isso, tentam trocar de filas constantemente. De fato, este movimento é muito comum, em média, a cada dois quilômetros, o que acaba por tomar mais tempo ainda.


“Má condução”
Para alguns, quando existe um engarrafamento na rua se deve ao fato de que os condutores que ali se encontram não sabem conduzir. Este mito é esclarecido pelo artigo de Citylab mencionando que cada movimento impreciso durante a condução gera uma “onda de choque” que desemboca em um efeito dominó de congestionamento através das ruas ou rodovias.


“É preciso retirar muitos automóveis das rodovias para reduzir o congestionamento”
Durante os dias que antecederam a visita do Papa Francisco a várias cidades dos Estados Unidos, os departamentos de transporte de cada uma e os meios de comunicação anunciaram as interrupções de trânsito que aconteceriam.


Diferentemente do congestionamento que era previsto, não houve episódios de grande magnitude, pelo contrário, as ruas estiveram mais vazias. de fato, enquanto o Papa esteve em Washigton, o tráfego de veículos motorizados diminuiu 5% e as rodovias reduziram o congestionamento em até 27% durante os horários de pico. Por que isso aconteceu?


Segundo publica Citylab, isso aconteceu pelo aviso prévio feitos aos funcionários públicos e os meios de comunicação. Imaginem os efeitos que isso traria para as cidades se fosse anunciado diariamente?


“Eliminar uma rodovia urbana pode de ser um pesadelo para o tráfego”
O anúncio da construção de uma rodovia ainda é visto, por alguns, como uma solução para o congestionamento viário.


Entretanto, a tendência que está se multiplicando em algumas cidades e que demostrou efeitos positivos nesse tema é que em vez de implementar mais destas infraestruturas, os lugares onde foram feitas está sendo devolvido aos pedestres e aos meios sustentáveis de mobilidade. A razão? Simples. Não fomentar mais o uso de veículos motorizados nas cidades e com isso evitar as desvantagens que traz para os habitantes, ao meio-ambiente e claro, ao congestionamento das ruas.


São muitos os casos deste tipo ao redor do mundo e começaram a ser desenvolvidos há vários anos, ou até mesmo décadas. Por exemplo, em 1974, a cidade estadunidense de Portland decidiu demolir a rodovia Harbor Drive para construir o atual Parque Tom McCall.


Em Cheonggyecheon, Seul, também se demoliu uma rodovia para construir um parque, o que permitiu recuperar um canal subterrâneo para ‘privilegiar’ a passagem de veículos. Ou seja se havia decidido deixar para trás um entorno natural no meio da cidade para convertê-lo em um lugar congestionado. O positivo, tanto para os habitantes quanto para o meio-ambiente, foi que ele se transformou em um novo espaço público.


“O preço do combustível não é um inconveniente”
Por muito convenientes que possam parecer os preços baixos dos combustíveis, não se pode esquecer que trazem consigo outros inconvenientes. Neste caso, são sociais e correspondem ao fato de serem um elemento presente no congestionamento atmosférico, o congestionamento viários e as vítimas nos acidentes viários.


“Os condutores arcam com a totalidade do custo de manutenção”
Erroneamente, parte dos automobilistas acreditam que pagar as  as taxas de circulação, lhes confere maior direitos de uso do espaço viário porque são eles quem pagam a manutenção de infraestrutura viária.

No Estados Unidos, a situação foi assim até que entrou em vigência o projeto de Lei de Rodovias Federais que indica que em vez de aumentar o imposto dos combustíveis, se teve que recorrer aos outros fundos públicos para financiar a manutenção das rodovias, o que o Citylab  descreve que “fez com que a situação fosse ainda pior”.

Fonte: Blog Ponto de Ônibus
Escrito por Adamo Bazani
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